Ganhar R$ 10 mil como PJ não é igual a ganhar R$ 10 mil de CLT. Veja o que considerar antes de trocar a carteira assinada pelo CNPJ.
Antes de aceitar a proposta PJ... ...vale entender exatamente quanto isso significa no seu bolso e o que você passa a ser responsável por organizar sozinho.
É cada vez mais comum um desenvolvedor, analista ou qualquer profissional de tecnologia receber uma proposta de trabalho como PJ, seja de uma empresa brasileira, seja de um cliente internacional. O valor bruto costuma parecer mais alto que o salário CLT equivalente. O problema é comparar bruto com bruto.
De CLT, o valor que cai na conta já vem líquido de boa parte dos descontos, e ainda tem uma série de direitos embutidos que você nem precisa calcular: eles simplesmente acontecem todo ano.
Nenhum dos dois é "melhor" por padrão. PJ pode valer muito mais a pena, mas só quando o valor é calculado direito, e é aí que mora o problema.
Uma forma simples de comparar é pensar no que o CLT te dá "de graça" além do salário líquido, e embutir isso no valor que você pede como PJ.
Somando esses pontos, é comum que o valor de equilíbrio como PJ fique bem acima do salário CLT bruto equivalente, dependendo do regime tributário da sua empresa e de quanto você reserva pra férias e imprevistos. Sem esse cálculo, é fácil aceitar uma proposta PJ que, na prática, paga menos do que o CLT que você está deixando.
Depois de fechar o valor, o próximo erro comum é abrir o CNPJ e deixar o enquadramento tributário no piloto automático. A maioria dos prestadores de serviço de tecnologia se enquadra no Simples Nacional, mas dentro do Simples existe mais de um anexo possível, e a diferença de imposto entre eles pode ser grande.
Se você atende cliente internacional e recebe em dólar, entra ainda a discussão de exportação de serviço, que tem regras próprias de nota fiscal e pode reduzir a carga tributária em alguns casos. Isso não é algo pra resolver sozinho lendo artigo: vale uma análise específica pro seu caso.
Como PJ, você deixa de ter uma rede de segurança automática. Isso não é motivo pra evitar o PJ, mas é motivo pra planejar:
Nada disso é motivo pra recusar uma proposta PJ. É motivo pra cobrar o valor certo e organizar isso desde o primeiro mês, não depois que já gastou tudo.
Na prática, migrar pra PJ costuma valer a pena quando três coisas acontecem ao mesmo tempo: o valor foi calculado embutindo os benefícios que você deixa de ter, o enquadramento tributário da empresa é o mais vantajoso pro seu caso, e existe alguém acompanhando isso mês a mês, não só uma vez no ano.
Quando falta qualquer um desses três pontos, é comum o profissional de tecnologia descobrir, um ou dois anos depois, que estava pagando mais imposto do que precisava, ou que o valor recebido nunca foi de fato maior que o salário CLT anterior.
Manda os números pra gente e a Rarm te ajuda a comparar com o que você ganha hoje.
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