A Receita Federal começou a emitir CNPJ com letras e números a partir de 31 de julho de 2026. Entenda o que muda pra quem já tem empresa, pra quem vai abrir uma agora e o que fazer com seus sistemas.
Mudança confirmada pela Receita Federal. O primeiro CNPJ alfanumérico já foi emitido em 31 de julho de 2026. A mudança é oficial, mas calma: ela não afeta quem já tem empresa aberta.
Desde a criação do CNPJ, o número de identificação das empresas brasileiras sempre foi só números: 14 dígitos, sempre. Isso muda a partir de agora.
O CNPJ alfanumérico mantém os mesmos 14 caracteres de sempre, mas as 12 primeiras posições (a raiz da empresa e o número de ordem do estabelecimento) passam a aceitar, de forma aleatória, letras maiúsculas de A a Z misturadas com números de 0 a 9. Os dois últimos caracteres continuam sendo só números: eles são o dígito verificador, e a forma de calculá-lo foi adaptada pro novo formato.
Repara que, mesmo no exemplo, a estrutura de leitura continua igual: você ainda reconhece a raiz, a ordem do estabelecimento e o dígito verificador no mesmo lugar de sempre. Só que agora alguns desses caracteres podem ser letras.
O motivo é simples: falta de número. Das quase 100 milhões de combinações numéricas possíveis pro CNPJ, cerca de 69 milhões já foram usadas. Em algum momento esse estoque ia acabar, e a Receita Federal decidiu agir antes disso virar um problema.
Misturar letras multiplica as combinações disponíveis e garante que o país não vá ficar sem número de CNPJ pra emitir nas próximas décadas. A mudança foi regulamentada pelas Instruções Normativas RFB nº 2.119/2022 e nº 2.229/2024, então não é uma decisão de última hora: já vinha sendo planejada há alguns anos.
Aqui vai a parte que mais importa pra quem já tem empresa aberta: nada muda no seu número. Seu CNPJ continua exatamente como está, com os mesmos 14 dígitos numéricos de sempre. Você não precisa solicitar nada, atualizar contrato social, reemitir nota fiscal com número novo ou avisar a Receita Federal de nada.
A Receita Federal também deixou claro que CNPJs totalmente numéricos ainda vão continuar sendo emitidos depois de 31 de julho, já que ainda sobra bastante combinação numérica disponível. O alfanumérico vai entrando aos poucos, não de uma vez.
Se você está pensando em abrir CNPJ agora ou nos próximos meses, existe uma chance, não uma certeza, de que o número da sua empresa venha no formato novo, com letra misturada. Isso não muda em nada o processo de abertura em si: o passo a passo na Junta Comercial, o enquadramento tributário e os prazos continuam os mesmos.
A única diferença prática é visual: o número que vai aparecer no seu cartão CNPJ, nas suas notas fiscais e nos seus contratos pode ter letra. E isso é só uma questão de se acostumar, não muda nenhuma obrigação.
Esse é o ponto que mais gera dor de cabeça, principalmente pra quem tem sistema próprio, e-commerce, ERP ou qualquer integração que valide CNPJ automaticamente. Muita planilha, formulário e sistema por aí ainda está programado pra aceitar só números nesse campo.
Se o seu sistema, ou o do seu fornecedor, rejeitar um CNPJ com letra, ele vai travar cadastro de cliente, emissão de nota ou até um pagamento. Vale a pena revisar com quem cuida da tecnologia da sua empresa:
Se você é desenvolvedor ou tem equipe de tecnologia, esse é o momento de revisar essas rotinas antes que o primeiro cliente com CNPJ alfanumérico apareça no seu cadastro.
A implementação técnica aconteceu em etapas, entre o fim de julho e o início de agosto de 2026:
A partir daqui, a adoção é gradual: nem toda empresa nova vai receber um CNPJ com letra, mas a chance aumenta com o tempo, à medida que as combinações numéricas forem se esgotando.
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