Reforma Tributária em 2027: quais serão os impactos para as empresas e como se preparar?

Mauro Proença, contadorPor Mauro Proença·CRC/SC 036.682/O-4 T-PR··9 min de leitura
Empresário analisando documentos financeiros e planejamento tributário para 2027.

A Reforma Tributária está deixando de ser um assunto distante para se tornar uma realidade na rotina das empresas brasileiras. A partir de 2027, mudanças importantes começam a valer, exigindo atenção dos empresários com custos, preços, margens de lucro e planejamento financeiro.

Para quem empreende em Curitiba e região, o momento de entender essas mudanças é agora. A preparação não deve começar quando os novos tributos já estiverem sendo cobrados, mas durante o período de adaptação.

Na avaliação da RARM Contabilidade, um dos principais efeitos que os empresários precisam observar é a possível pressão sobre os custos operacionais. Dependendo do regime tributário, da atividade e do perfil dos fornecedores e clientes, a reforma poderá afetar diretamente a rentabilidade do negócio.

Neste artigo, explicamos o que muda em 2027, quais empresas precisam ter atenção especial e quais medidas podem ser tomadas para enfrentar essa transição com mais segurança.

O que muda com a Reforma Tributária em 2027?

A Reforma Tributária sobre o consumo foi instituída pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentada principalmente pela Lei Complementar nº 214/2025. Entre seus objetivos está a reorganização da tributação sobre bens e serviços no Brasil.

Uma das principais mudanças previstas para 2027 é a substituição do PIS e da Cofins pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo federal que fará parte do novo modelo de tributação.

O novo sistema também prevê o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência compartilhada entre estados e municípios, e o Imposto Seletivo (IS), aplicado a determinados bens e serviços.

A transição acontece em etapas:

  • 2026: ano de teste da CBS e do IBS, com alíquotas de teste e regras específicas de compensação.
  • 2027 e 2028: início da cobrança da CBS e do IBS em alíquotas de transição, extinção do PIS e da Cofins e instituição do Imposto Seletivo.
  • 2029 a 2032: substituição gradual do ICMS e do ISS pelo IBS.
  • 2033: previsão de vigência integral do novo modelo.

As informações oficiais sobre o cronograma podem ser consultadas na página da Reforma Tributária da Receita Federal.

O ponto importante é que 2027 representa uma mudança relevante, mas não o fim de toda a transição. As empresas precisarão acompanhar as novas regras durante os anos seguintes.

CBS de 11,3%: por que esse percentual preocupa os empresários?

Um dos assuntos que merece atenção é a alíquota de referência da CBS.

Em outubro de 2026, o Tribunal de Contas da União calculou uma proposta de alíquota de 11,3% para a CBS em 2027. O percentual foi encaminhado ao Senado Federal, que tem até 22 de dezembro de 2026 para fixá-lo por meio de resolução. Portanto, é importante acompanhar a definição oficial antes de considerar esse número definitivo.

A preocupação dos empresários está na diferença entre a tributação atual e o novo modelo, especialmente quando se observa o efeito sobre custos, despesas e créditos tributários.

No regime cumulativo, por exemplo, a soma das alíquotas de PIS e Cofins é de 3,65%. Já no regime não cumulativo, a referência tradicional é de 9,25%. A CBS terá outra sistemática, com possibilidade de apropriação de créditos conforme as regras legais.

Por isso, não basta comparar os percentuais isoladamente. É necessário analisar a atividade da empresa, suas aquisições, os créditos que poderá aproveitar e a forma como a tributação afetará sua operação.

Para empresas que possuem poucos custos capazes de gerar créditos, o impacto pode ser especialmente relevante.

Na avaliação da RARM Contabilidade, o empresário precisa olhar para além da alíquota: é necessário entender como a mudança vai afetar o resultado financeiro do negócio.

O maior impacto pode estar na inflação de custos

Quando se fala em Reforma Tributária, é comum pensar imediatamente no valor dos impostos pagos pela própria empresa. Porém, existe outro efeito que merece atenção: o aumento dos custos e das despesas contratadas de terceiros.

Uma empresa pode sofrer impactos mesmo quando não consegue repassar diretamente a mudança tributária ao consumidor.

Imagine um negócio que depende de energia elétrica, telefonia, internet, aluguel e serviços terceirizados. Se os fornecedores repassarem seus aumentos de custos tributários, a empresa poderá pagar mais para manter exatamente a mesma estrutura de funcionamento.

O problema é que nem sempre existe espaço para aumentar o preço de venda na mesma proporção.

Em mercados competitivos, o empresário pode precisar absorver parte desse aumento para não perder clientes. Isso significa uma possível redução da margem de lucro.

O risco não está apenas em pagar mais impostos, mas em gastar mais para operar e não conseguir vender mais caro.

É por isso que a revisão dos custos e das despesas deve fazer parte do planejamento para 2027.

Empresário revisando custos e despesas da empresa para enfrentar a Reforma Tributária.

Empresas que vendem para outras empresas (B2B) precisam de atenção especial

Outro ponto destacado pela RARM é a relação comercial entre empresas.

No mercado B2B, ou seja, quando uma empresa vende produtos ou presta serviços para outra empresa, a questão dos créditos tributários pode influenciar as negociações.

Empresas que apuram seus tributos pelo regime regular podem considerar os créditos de CBS e IBS na avaliação de seus fornecedores e das despesas contratadas.

Com isso, o regime tributário do fornecedor pode ganhar ainda mais importância na negociação comercial.

Uma empresa prestadora de serviços que atende grandes organizações, por exemplo, poderá enfrentar questionamentos sobre a geração de créditos tributários para seus clientes.

Se não conseguir repassar o impacto no preço, poderá ter uma redução na margem de lucro.

Por isso, não basta olhar apenas para o faturamento. É importante entender quem são os clientes, como eles são tributados e quais serão as consequências da nova sistemática para a relação comercial.

Como a Reforma Tributária afeta as empresas do Simples Nacional?

O Simples Nacional continuará existindo, mas isso não significa que todas as empresas enquadradas nesse regime terão os mesmos impactos. As novas regras do Simples Nacional foram atualizadas para a adequação à reforma.

De maneira geral, empresas que vendem exclusivamente para o consumidor final podem ter um cenário diferente daquelas que prestam serviços ou fornecem produtos para outras empresas.

A situação merece atenção especial para quem atua no mercado B2B, pois os clientes podem valorizar fornecedores que permitam o aproveitamento de créditos tributários.

A legislação prevê a possibilidade de a empresa do Simples Nacional optar pelo recolhimento do IBS e da CBS pelo regime regular, em vez de manter esses tributos integralmente dentro do recolhimento simplificado. Esse modelo é frequentemente chamado de Simples Nacional híbrido.

Entretanto, optar por essa modalidade não significa automaticamente pagar menos impostos ou ter uma operação mais vantajosa.

A decisão depende de uma análise individualizada, considerando:

  • O faturamento e a atividade da empresa.
  • O volume de custos e despesas que podem gerar créditos.
  • O perfil dos clientes e fornecedores.
  • A participação das vendas B2B e B2C.
  • O impacto da tributação sobre a margem de lucro.

A RARM Contabilidade desenvolveu uma calculadora para auxiliar na análise dos impactos do Simples Nacional híbrido, permitindo avaliar cenários e apoiar a tomada de decisão.

A escolha precisa ser feita com números e planejamento, e não apenas pela expectativa de gerar mais créditos para os clientes.

É importante destacar que a Receita Federal estabeleceu, para a opção referente a 2027, o período de 1º a 30 de setembro de 2026. Como esse prazo já terminou, as empresas que fizeram a escolha precisam acompanhar sua aplicação e as próximas orientações. Quem não realizou a opção deve procurar sua contabilidade para verificar a situação e as alternativas previstas nas regras vigentes.

Contador orientando empresário sobre planejamento tributário e Simples Nacional.

O que o empresário deve revisar para enfrentar 2027?

A preparação para a Reforma Tributária não deve se limitar à conversa sobre impostos. O empresário precisa avaliar a estrutura financeira e operacional do negócio.

Na orientação da RARM Contabilidade, algumas medidas merecem prioridade.

1. Revise todos os custos e despesas

Faça um levantamento dos gastos fixos e variáveis da empresa.

Avalie contratos, fornecedores, planos de telefonia e internet, aluguéis, serviços terceirizados e demais despesas recorrentes.

O objetivo é identificar oportunidades de redução de custos sem comprometer a qualidade dos produtos, serviços e atendimento.

2. Reavalie os preços de venda

A formação de preços precisa considerar os custos atualizados, a tributação aplicável e a margem de lucro desejada.

Não espere que os aumentos apareçam no resultado financeiro para começar a revisar seus preços.

Uma precificação desatualizada pode fazer a empresa vender mais e, mesmo assim, ganhar menos.

3. Analise seus clientes e fornecedores

Entenda o perfil tributário dos seus principais parceiros comerciais.

Se a empresa vende para outras empresas, avalie como a geração de créditos tributários poderá influenciar as negociações.

Também é importante observar quais fornecedores podem repassar aumentos de custos e quais alternativas comerciais existem.

4. Revise contratos e processos internos

A reforma exige atenção aos documentos fiscais, aos sistemas de gestão e aos procedimentos utilizados na operação.

As empresas precisam acompanhar as atualizações dos documentos fiscais eletrônicos, dos sistemas de emissão e das obrigações acessórias relacionadas aos novos tributos.

Adequar processos com antecedência reduz o risco de dificuldades operacionais e problemas na emissão de documentos fiscais.

5. Faça um planejamento tributário individualizado

Não existe uma única decisão correta para todas as empresas.

O regime tributário mais adequado depende de fatores como atividade, faturamento, despesas, créditos, perfil dos clientes e estrutura operacional.

Por isso, é importante simular cenários e acompanhar as regras aplicáveis antes de tomar decisões que podem afetar o resultado do negócio.

A contabilidade terá um papel ainda mais estratégico

A Reforma Tributária também exige uma mudança na relação entre contador e empresário.

A contabilidade não deve ser vista apenas como a responsável por calcular impostos, emitir guias e cumprir obrigações fiscais.

Em um cenário de mudanças tributárias, o contador precisa atuar como um parceiro estratégico, ajudando o empresário a entender os impactos e tomar decisões com mais segurança.

Na RARM Contabilidade, o trabalho de orientação envolve planejamento, análise de custos, avaliação dos efeitos tributários e acompanhamento das mudanças que afetam cada empresa.

Com atuação digital e atendimento próximo aos clientes, a RARM busca oferecer suporte para que o empresário tenha acesso às informações necessárias no momento de decidir.

A empresa atua há mais de seis anos junto a empresários e negócios, com foco em contabilidade, planejamento e orientação empresarial.

Empresário e contador realizando planejamento estratégico para a empresa.

Conclusão: ainda dá tempo de preparar sua empresa para 2027

A Reforma Tributária representa uma das maiores mudanças no sistema de tributação sobre o consumo das últimas décadas no Brasil.

Embora parte da transição aconteça ao longo dos próximos anos, 2027 já traz alterações importantes que exigem preparação dos empresários.

Ignorar essas mudanças pode significar perder margem de lucro, tomar decisões comerciais sem considerar os efeitos tributários e enfrentar dificuldades para adaptar processos e contratos.

O caminho mais seguro é revisar custos, analisar preços, entender o perfil dos clientes e fornecedores e realizar um planejamento tributário adequado à realidade da empresa.

A RARM Contabilidade está preparada para ajudar empresas de Curitiba e região a compreender os impactos da Reforma Tributária e planejar os próximos passos.

Entre em contato com a equipe da RARM e avalie como preparar seu negócio para as mudanças de 2027.

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